11.29.08
Mil Casmurros
Que eu sou mega-fã de Machado de Assis, vocês já ficaram sabendo aqui! _ e, a propósito, a exposição foi prorrogada até março de 2009. Eu vou!
O que nem eu sabia até poucos dias, e que através do Gravata e do Brainstorm tomei conhecimento, era da existência da ação Mil Casmurros.
O livro Dom Casmurro foi dividido em 1000 trechos e cada pessoa pode ir lá no site e gravar um pedacinho do livro.
O projeto foi criado para divulgar a minissérie Capitu, baseada no livro Dom Casmurro, que estréia na Globo dia 09 de dezembro.
Se a minissérie será tão boa quanto o livro, eu não sei_ assim como não sei se Capitu traiu ou não Bentinho. Só sei que achei a idéia de divulgação muito boa (parabéns às agências envolvidas!) e adorei participar um tiquinho dessa leitura coletiva.
Você pode ver minha breve participação aqui, antecedendo as leituras de Soninha, Angélica e Regina Duarte!
Participe você também!
11.12.08
Cuidado com a sua voz!
Havia prometido aqui para a Eva que meu próximo post da coluna Fala, tia Fono! seria sobre cuidados que podemos ter para não abusar da voz. Mas, como ela é uma menina chique (estava nas “Oropa”) e como a regularidade dessa coluna não é lá essas coisas, falei sobre amamentação em agosto e, agora que ela voltou, vamos ao prometido.
Começando do começo: como a voz é produzida?
Bem, a voz é produzida através da participação de vários sistemas do organismo humano, em especial os sistemas respiratório e digestivo. A voz é emitida em função da corrente de ar que é fornecida pelos pulmões. Este ar passa pela laringe permitindo a vibração das pregas vocais. O som produzido pelas pregas vocais é amplificado por “caixas acústicas” naturais, formadas pela laringe, boca e nariz. Por fim, esta voz é articulada na boca, tornando-se fala.
A primeira imagem (acima) mostra as pregas vocais abertas, posição habitual durante a respiração. Na segunda, elas estão em contato, o que ocorre durante a fala.
Se durante a fala as pregas vocais entram em contato, você pode imaginar o que acontece quando gritamos? Sim, elas atritam violentamente. E, se tal abuso (no caso, o grito) persistir, as pregas vocais podem ficar “inchadas” (com edema*), ganhar lindos nódulos** ou belos pólipos*** e sua voz pode ficar rouca e soprosa (quando o ar escapa junto com a voz, devido ao fechamento inadequado das pregas vocais).
A primeira foto superior mostra as pregas vocais sem alterações; a segunda, um edema*. A primeira foto inferior mostra nódulos** nas duas pregas vocais; a segunda, pólipo*** em uma prega vocal.
O diagnóstico é feito sempre por um otorrinolaringologista, e o tratamento, por um fonoaudiólogo. No diagnóstico, o médico pode se valer de exames com nomes complicados como a nasofibrolaringoscopia, que nada mais é do que introduzir uma sonda com uma micro-câmera pelo seu nariz e levá-la às pregas vocais. No tratamento, geralmente rápido, o fonoaudiólogo deve conscientizar o paciente quanto aos abusos e mau-usos vocais, ensinar exercícios para a melhora da voz e propor estratégias para evitar o mau-uso vocal. Caso a alteração vocal persista após o tratamento, o paciente retorna ao médico, que vai decidir se o caso é cirúrgico ou se necessita de mais sessões fonoterápicas.
Parece bobo pensar que o fono deve orientar o paciente a não abusar de sua voz, mas, na verdade, esse é o principal trabalho! Caso o paciente não mude alguns hábitos nocivos no seu dia-a-dia, sua voz nunca irá melhorar em definitivo! Se, após o término da terapia, ele decidir retomar seus antigos (maus) hábitos, é certo que seu problema vocal voltará.
Vamos, então, a algumas dicas para que você possa cuidar melhor da sua voz:
1. Evite fumar - o fumo é altamente irritante. A fumaça age na mucosa do trato vocal, o que faz surgir um depósito de secreção provocando o pigarro.
2. Evite bebidas alcoólicas, principalmente enquanto estiver usando a voz profissionalmente - as bebidas permitem uma anestesia dos tecidos com a conseqüente perda de sensibilidade e um provável abuso vocal.
3. Cuidado com o ar condicionado - muitas pessoas são sensíveis ao ar condicionado pois ele pode provocar um ressecamento da mucosa do trato vocal.
4. Evite o pigarro e tosses freqüentes - eles podem facilitar o aparecimento de alterações nas pregas vocais, devido ao grande atrito causado na mucosa.
5. Evite roupas apertadas - algumas roupas pressionam a região do pescoço (gravatas apertadas, golas altas, lenços, etc.) e do abdômen (corpetes, cintas, etc.), limitando a livre movimentação da laringe e do diafragma.
6. Beba água - a ingestão de 2 litros ao dia pode reduzir a viscosidade do muco da laringe.
7. Evite pastilhas refrescantes, principalmente enquanto estiver usando a voz profissionalmente - elas são como anestésicos e podem permitir o abuso vocal.
8. Ingerir maçãs antes de utilizar a voz como atividade profissional é bom devido suas propriedades adstringentes.
9. Mantenha uma boa postura corporal, possibilitando a movimentação da laringe e a projeção adequada da voz.
10. Evite gritar ou falar por muito tempo para não provocar fadiga vocal.
11. Quando fizer uso prolongado de sua voz faça um repouso vocal de pelo menos 30 minutos, para poupar a musculatura fonatória e irrigar as pregas vocais.
12. Faça aquecimento e desaquecimento vocal antes do uso profissional da voz (exercícios obtidos com um fonoaudiólogo ou professor de canto devidamente qualificado) para obter uma melhor projeção vocal sem abusar das pregas vocais.

11.05.08
Vida em tópicos
“Casas entre bananeiras/ Mulheres entre laranjeiras/ Pomar amor cantar
Um homem vai devagar./ Um cachorro vai devagar.
Um burro vai devagar./ Devagar… as janela olham.
Eta vida besta, meu Deus.”
Drummond
Eta, que faz dias que não entro aqui… tá tudo uma correria só e eu doida pra escrever coisas, contar coisas, ler blogs… trabalhar, que é o que dá dinheiro (???) não tô muito a fim não… risos…
- Marido conseguiu emprego após um mês e meio sem (ufa!).
- Passou o aniversário do meu marido, e eu nem comentei nada aqui. Mas um amigo já fez isso por mim.
- Marido passou no vestibular (vencemos mais uma batalha, não?).
- Passou nosso aniversário de casamento_ fizemos Bodas de Papel! Sim, já faz um ano. Mas como sou o homem da relação (leia-se, insensível em alguns pontos e quem deixa a toalha e a calcinha molhadas em cima da cama), ao invés de programar algo mega-romântico, chamei amigos para assistir a sessões de filme nacional no cinemark a dois reais cada_ vi, sozinha, Ensaio sobre a cegueira e vimos Os Desafinados e Meu nome não é Johnny (gostei, mais do primeiro e do último). Marido deu bronca, com razão, mas o final de semana promete, o sábado será só nosso.
- Tenho analisado meus pés e minhas mãos… estão mais ruguentos, com aparência de pele de elefante centenário. Achei que fosse demorar anos para ter rugas nas mãos e pés… eram tão lisos… Vai ver os anos passaram e eu não vi, o que é mal. Vai ver é falta de um tratamento intensivo a base de hidratante.
- Tenho sentido muita dor no estômago e no fígado, mais do que o normal. Passando mal do nada. Preciso de um gastro.
- Acho que ando ansiosa com as coisas… o futuro me angustia. Besteira. Melhor curtir o presente. Carpe diem.
Não faz mal que você não tenha entendido nada. Daqui a uns dias coloco post decente aqui, tá?
Eta, vida besta, meu Deus!

Curtindo a vida adoidado...
10.16.08
Que tal alugar uma vida?
Fiquei pasma ao saber que aluga-se (ou seria alugam-se?) cachorros. Para serem seguranças de empresas ou residências.
Imagine como fica a cabeça do cachorro! Uma hora com a família X, outra semana na empresa Y… sem vínculos afetivos estabelecidos.
Quando ele adoece, quem cuida? O canil que alugou? A pessoa que contratou os serviços? Ninguém, é a resposta mais coerente. Ninguém se sente responsável.
E quando o cachorro fica idoso, inapto para o “serviço”? O que você acha que o canil faz com ele? Abandona ou sacrifica, na maioria dos casos.
Estou estarrecida! O.o
Cachorro não é um objeto, é um ser vivo! Isso deveria ser proibido, como já foi em Curitiba!
Leia a reportagem completa aqui.
10.08.08
Minúsculos Assassinatos…
… e alguns copos de leite
(Apenas uma recapitulação: recebi o convite para ir ao lançamento do mais novo livro de Fal Azevedo em minha casa. Fui e cumprimentei-a_ não comprei o livro por falta de money. Ladybug lançou um concurso, sorteando o livro. Eu participei e fui sorteada. Recebi o livro em minha casa dia 04 (sábado). Comecei a lê-lo ontem (dia 07) e terminei hoje (dia 08). É isso.)

O livro me instigou pela capa e pelo título. Uma romã partida, deixando à vista suas milhares sementinhas. E o título: assassinatos pequeninos e copos de leite? “Como assim?”, pensei. Numa vã tentativa de desvendar o mistério, tentei associar os vários assassinatos com as sementinhas de romã… e onde ficaria o leite? Fiquei curiosíssima para lê-lo assim que recebi o convite para o lançamento. E fiquei contente em saber que mataria minha curiosidade (ganhando o livro).
Ao iniciar a leitura, confesso que me surpreendi! Está muito bem escrito! “Não imaginava que ela escrevesse tão bem assim”, foi mais uma pérola dos meus pensamentos. Adorei a quase a-cronologia dos fatos, a mistura de passado e presente, a mistura de acontecimentos e pensamentos_ esse é um jeito de escrever que adoro (foi o que me fez gostar de Machado de Assis, por exemplo).
Português correto e ao mesmo tempo coloquial_ o que torna a leitura muito prazerosa!
Em alguns momentos, quase poderia imaginá-la (a Fal) escrevendo ou dizendo tais coisas. Alguns trechos me lembraram seu blog e seus gatos.
E como há gatos na casa de Alma, protagonista da história, quase uma anti-heroína, como Macunaíma. Mas há cachorros também! Vários. E como gosto mais deles, vou colocar uns trechinhos, em que Alma fala sobre eles, aqui:
“Seu cachorro ama você. Seu cachorro foi programado biologicamente pra amar você. Ele ama você mesmo quando você se atrasa ou esquece de botar água pra ele. (…)
(…) Mesmo que você tenha gatos, muitos gatos.
Seu cachorro ama você mesmo quando você fala com ele na mais irritante voz de bebê deste mundo. (…)
Mesmo que, no meio da crise de insônia, você vá lá acordá-lo pra não ficar sozinha, saiba, seu cachorro ama você.(…)
Mesmo que você xingue seu cachorro de “fedido”, mande-o tomar banho na loja e ele volte com dor de ouvido e com uma gravata patética do Piu-piu, ele ama você. (…)
Seu cachorro ama você para sempre, mesmo que nada, nada, nada tenha salvação e que, em parte, a culpa seja sua.”
E como isso é verdade!
Adorei cada capítulo do livro ser nomeado por alguma comida/tempero/bebida. E tudo relacionar-se com o texto propriamente dito.
E que vida dura a de Alma! Sua trajetória de vida me lembrou a da protagonista do livro “A Hora da Estrela”, de Clarice Lispector.
Fiquei com vontade de saber mais sobre o depois na vida de Alma.
É um livro que conta a história de Alma, mas poderia ser a história de qualquer um de nós. E, talvez por isso, nos envolva.
Recomendo!
10.04.08
Um ano, uma vida
Dia 29 de setembro fez um ano que a Lilo está conosco. Mas parece muito mais_ parece que somos parceiras de uma vida inteira, tamanha nossa cumplicidade!

Me lembro de quando ela chegou aqui (para ficar uma semana de teste _ que piada!)… Em seu primeiro dia, já tinha madrinha e roupinha! De como fiquei preocupadíssima nas primeiras semanas ao vê-la tão quieta, sem brincar_ chorei horrores e deixei o pai e a madrinha loucos! Até floral ela tomou.
Com o tempo, ela foi mostrando todo o seu charme. Embora continuasse quieta e comportada (ela não late para quase nada e nem faz bagunça), Lilo começou a brincar e aprontar das suas peraltices.

Um alento nas horas tristes, uma diversão nos momentos mais inusitados, uma companhia pra todas as horas! Ela me ensinou muito: a ser mais sociável, a ser mais responsável, a me doar… fez de mim mais humana.
Nós nos divertimos cantando músicas (dentre elas, “Preta Preta Pretinha”) ou criando paródias especialmente para ela (*), criando mil apelidos, brincando, levando ao “parquinho” (geralmente, o Parque da Independência)… convivendo com ela.
Nesse dia 29, eu a agradeci por fazer parte da minha vida, o pai fez um carinho, a madrinha e o fado padrinho deram uma bolinha super estilosa… E eu desejo que ela fique muitos e muitos anos conosco.
* Uma das paródias que o pai fez, foi baseada na música “Que bonita a sua roupa” do Chaves (vídeo abaixo). “Que gracinha de cachorra, que cachorrinha muito louca, ela é mesmo diferente, não dá pra não ficar contente, e agrada a quem olhar!”
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Nesse Dia dos Animais, fica o apelo para que as pessoas(???) não abandonem seus companheiros de anos apenas porque estão velhos ou porque vão se mudar ou porque simplesmente cansaram-se dele. Lembrem-se também que a Lilo é uma vira-lata, e só nos dá alegrias_ há vários outros esperando por novas famílias (vide barra lateral).
09.30.08
Um exemplar
Conheci a Fal em 2007, num jantar árabe delicioso promovido pelas “Falmigas”, dentre elas, minha amiga blogueira (oba!) Cláudia Lyra.
A partir de então, comecei a acompanhar seu blog_ apesar de comentar pouco…
Me senti muito feliz ao receber, em casa, um convite para o lançamento do Livro “Minúsculos Assassinatos e Alguns Copos de Leite”_ chiquérrimo!

E lá fui eu: de marido envergonhado a tira-colo e tudo!
O Café Fazenda estava lotado e a fila pra cumprimentá-la, maior ainda! Mas, esperei, me apresentei, contei de quando comecei a “persegui-la”, contei que adorei receber o convite em casa e adorei quando ela disse “Ah, você é a Marília?”
Saí de lá contente, apesar de estar sem um exemplar do livro (também fiquei babando nos marcadores!)_ mas money que é good nós não have!
Escrevo essas poucas linhas hoje na tentativa de ganhar um exemplar e conhecer a Fal um pouco mais! A Lúcia Freitas lançou essa promoção no seu blog e cá estou eu, aguardando o resultado.
E, já que estamos em ritmo de campanha eleitoral, prometo que, se ganhar (e após ler o livro, obviamente), colocar aqui minhas impressões sobre ele.
09.28.08
Onde irá parar minha infância?
Em algum lugar deste blog já comentei sobre pessoas queridas que vão desta para uma melhor_ bem melhor, espero eu.
Assim como já devo ter comentado que não concordo com essa ordem da vida: as pessoas que te acompanharam por uma vida inteira simplesmente morrem enquanto você passará a ser a pessoa que construirá uma nova família…
E se você quiser continuar com sua velha família? Não dá, não pode. Elas inevitavelmente morrerão.
(suspiro)
Uma tia muito muito querida morreu nessa sexta. Já estava mal, na UTI há algum tempo. Fui visitá-la, aliás, na UTI no domingo anterior. Fiquei muito triste ao vê-la cheia de tubos e fios. E já comecei a desconfiar que ela não fosse sair dessa… Como, de fato, aconteceu.
O velório foi sábado, na casa dela. Casa que conheço desde sempre. Casa em que passei todas as minhas férias inteiras (dezembro-janeiro-julho) todos os anos, desde criança até a faculdade. Tinha até o “meu” quarto, o quarto da caçulinha, como ela mesma me disse uma vez.
E ver aquela casa, cheia de parentes queridos,… não sei. Todos estavam tristes, mas cientes de que ela já havia sofrido muito na UTI. Conversas animadas lembravam da alegria de minha tia. Nâo havia ninguém desesperado_ o que foi ótimo. Todos bem, apesar de.
Não sei o que vai ser daquela casa. Talvez nunca mais entre nela caso ela seja vendida_ como a casa de minha avó, que virou um centro de análises clínicas. Talvez nunca mais reveja -fisicamente- a minha infância que está lá, em grande parte. Assim como só verei minha tia nas lembranças…
A sensação que tive, com a morte dela (somada à de outros parentes queridos), foi justamente essa: minha infância está morrendo aos poucos, junto com eles…
A grande família, outrora centrada na figura da avó e dos tios, está se multiplicando e se descentralizando, com cada primo formando seu próprio núcleo familiar. Isto é inevitável e natural, mas é triste.
09.24.08
Centenário Machadiano
“Ao verme que primeiro roeu as frias carnes do meu cadáver, dedico, como saudosa lembrança, estas memórias póstumas.”
Esse é o início de tudo. Da história do personagem morto Brás Cubas e da trajetória de Machado de Assis como gênio da literatura brasileira. Publicado em livro pela primeira vez em 1881, Memórias póstumas de Brás Cubas traz uma dedicatória sob forma de epitáfio e anuncia algo que seria surpreendente e inusitado para o leitor da época: um romance contado por um autor morto.
Memórias Póstumas de Brás Cubas foi seu quinto romance_ o primeiro a ser publicado pela tipografia nacional. “É o livro que marca a maturidade do grande escritor”, observa o filólogo Domício Proença Filho, quinto ocupante da cadeira 28 da Academia Brasileira de Letras.
Quando li esse livro pela primeira vez (se não me falha a memória estava no fim do primeiro grau ou no início do segundo) quase surtei de prazer literário: adorei o livro do início ao fim. Quem não leu, leia. A partir dele, tornei-me fã de Machado e de sua literatura permeada de entrelinhas.
Não comemoro aniversário de morte de ninguém por achar um tanto quanto mórbido tal comemoração (este ano se comemora o centenário da morte de Machado — falecido em 29 de setembro de 1908). Mas, talvez, ela se encaixe perfeitamente por se tratar do autor de Memórias Póstumas.
O ano de 2008 promete entrar na história nos estudos machadianos. O centenário da morte de Joaquim Maria Machado de Assis será o motivo para a publicação de livros, a realização de debates e inspira a microssérie que a TV Globo planeja - Capitu, adaptação de Dom Casmurro assinada por Euclydes Marinho, que terá direção de Luiz Fernando Carvalho, no âmbito do Projeto Quadrante (que estreou em 2007 com a adaptação de romance de Ariano Suassuna). O centro das celebrações será a Academia Brasileira de Letras (ABL), fundada por Machado de Assis há 110 anos.
A publicação da correspondência de Machado, organizada pelo acadêmico Sérgio Paulo Rouanet, será um dos pontos altos do ano. Com muitas cartas inéditas, o epistolário sairá em dois volumes. De abril a novembro, a Casa de Machado também realiza ciclo de 20 conferências sobre o escritor, em que participarão, além dos acadêmicos, estudiosos brasileiros e estrangeiros como Gustavo Franco, Helder Macedo, Antônio Maura, Jean-Michel Massa e John Gledson.
A Academia fechou também convênio com o MinC para lançar todos os livros do autor a preços populares (que deverão custar entre R$ 3 e R$ 5). No fim do ano, a ABL vai publicar um dicionário sobre a obra de Machado de Assis, sob direção de Ubiratan Machado. No mercado editorial, no segundo semestre, a Nova Aguilar publicará, em três volumes, a obra completa do autor.
Na página eletrônica www.machadodeassis.net, o amante da história machadiana encontrará uma biografia resumida do autor; bibliografia básica, com cerca de 30 títulos de livros; artigos sobre a obra de Machado de Assis; ferramenta de busca de citações e alusões a fatos históricos ou a personagens; dentre outras interatividades.
- http://recantodasletras.uol.com.br/redacoes/881146
- http://www.cultura.gov.br/site/2007/12/31/centenario-de-machado-de-assis-2/
Quero ver a exposição abaixo (estão todos convidados):
-Imagem clickaumentável-
09.19.08
Pasárgada
“Vou-me embora pra Pasárgada/ Lá sou amigo do rei/
Lá tenho a mulher que eu quero/ Na cama que escolherei (…)”
Manuel Bandeira
Exatos dez anos depois, voltei a Brasília pela segunda vez. Desta vez a trabalho, não a lazer.
A empolgação com a oportunidade de trabalho que surgiu deu lugar, primeiro, à saudade: viajar pra tão longe sem o marido e sem a filhota canina não foi fácil. Tratei logo de, ao sair da rodoviária Tietê, ler Alice no País das Maravilhas pra afastar tais pensamentos.
Depois veio a nostalgia: me recordei de uma das paradas (ela continua a mesma após dez anos?), da paisagem seca e plana, de árvores de tronco retorcido (exatamente como contam os livros de geografia), das letras do Legião Urbana… Achei engraçadíssimo deparar com compotas de doces de Poços de Caldas (minha quase terra natal).
A viagem de quase 15 horas de ônibus foi tranqüila. Deu até pra dormir um pouco.
Chegando a Brasília, na Rodoferroviária, estranhei um pouco: não é uma Rodoviária Tietê da vida… Mas acabei encontrando o que precisava: banheiro, comida e guichê para comprar passagem para a outra parte da viagem: ida a Posse, cidade do interior de Goiás.
Após duas horas de espera, já lendo Alice no País dos Espelhos (continuação pouco conhecida do primeiro livro), embarquei no ônibus. O tempo de viagem previsto era de cinco horas e meia, devido às inúmeras paradas que o ônibus faz (o famoso pinga-pinga mineiro). O percurso levou uma hora a mais que o previsto, pois um dos pneus do ônibus estourou_ asfalto quente, um ar salgado, eu diria. Até resolver tudo, trocar o pneu num posto… demorou. No posto, deparei com vários cachorros sem dono… um deles me lembrou muito Baleia, de Graciliano Ramos, pela magreza… suspiro. Tudo é seco por aqui, pensei.
Chegando a Posse, exatamente 24 horas após ter entrado no ônibus em São Paulo, Helena estava me esperando, segurando um papel onde estava escrito: Marília, seja bem-vinda! Recepção melhor impossível! Conheci seus filhos (que são crianças lindas) e marido, alguns amigos; comi uma torta de queijo e um Mané Pelado (torta de mandioca e coco) divinos, tomei meu nescafé… Tomei banho (estava precisando!).
Não dormi sem antes escrever essas poucas linhas. Quis registrar, pra não correr o risco de esquecer detalhes.
(…)
Os dias que se seguiram foram de muito trabalho: fiz audiometria em alguns funcionários de algumas fazendas da região (na região de fronteira Goiás-Bahia). A região é uma das principais produtoras de algodão do país.
Os dias também foram de fortalecimento de laços: a família que me acolheu é um encanto! Adorei! Fizeram de tudo pra me contar e mostrar sobre a região (coisas boas e ruins, belezas naturais escondidas pelo período de seca…) e fizeram de tudo pra que eu me sentisse em casa_ o que deu extremamente certo! Já sinto saudades da nossa convivência… Não posso deixar de mencionar os cachorros, principalmente a vira-lata Fúria, que de fúria tem só o nome.
Uma coisa que havia me esquecido de mencionar: Posse é uma das regiões mais gaúchas de Goiás (tanto que o prato típico é, nada mais nada menos, o churrasco gaúcho!).
(…)
Voltar pra casa foi bom. Bom partir, bom voltar. Estava com saudades do marido, da filhota canina, da casa, dos amigos… Confesso que foi difícil a re-adaptação à rotina. Mas, é isso: estou de volta!
PS: Cheguei na quarta-feira à tarde. O Manso, vira-lata lindo da praça, só refez as pazes comigo pelo “abandono” hoje à noite. É mole?











































